
Quanto custa montar um eletroposto, quanto ele fatura por mês e em quanto tempo o investimento se paga. Este guia traz as faixas praticadas hoje pelo mercado e mostra a variável que costuma ficar de fora da planilha de viabilidade e quebra o payback antes da operação começar.
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Neste artigo
- Quanto custa montar um eletroposto
- Quanto fatura e qual a ocupação real
- Em quanto tempo o investimento se paga
- O erro que quebra o payback: ignorar o imposto
- Os cinco modelos de operação mudam a conta
- No horizonte: a transição da Reforma Tributária
- Viabilidade e contabilidade são a mesma conversa
- Perguntas frequentes
Quem pesquisa “quanto custa montar um eletroposto” está fazendo a pergunta certa. O problema é a resposta que costuma receber. Fala-se do carregador, do ponto e do faturamento, e monta-se uma projeção de payback que parece redonda. Falta uma variável. E é justamente a que mais pesa: o imposto.
Este artigo entrega os números reais do mercado, o que compõe o investimento, quanto um eletroposto fatura e em quanto tempo se paga. E mostra por que uma conta de viabilidade sem a variável tributária está errada antes de você assinar o primeiro contrato.
Quanto custa montar um eletroposto
O investimento inicial varia com a potência e o tipo de carregador. As faixas que o mercado pratica hoje:
| Tipo de estrutura | Investimento aproximado |
|---|---|
| Estruturas menores, com carregadores de corrente alternada | A partir de cerca de R$ 50 mil |
| Ponto de 60 kW, com equipamento, entrada de energia, proteção elétrica, obra civil e monitoramento | Em torno de R$ 170 mil |
| Projetos com carregadores rápidos de corrente contínua | Mais de R$ 300 mil |
O carregador é a parte visível do custo, mas não é a maior fonte de surpresa. A entrada de energia, a adequação elétrica do ponto e a obra civil respondem por uma fatia relevante e variam muito conforme o local. Um ponto que exige reforço de rede custa diferente de um que já tem carga disponível.
Quanto fatura e qual a ocupação real
O faturamento depende do fluxo, e o fluxo depende do ponto. Em localizações boas, o número costuma ficar entre R$ 10 mil e R$ 40 mil por mês.
O que define esse intervalo é a taxa de ocupação: quanto tempo as estações passam efetivamente carregando. Em bons pontos, ela fica entre 40% e 70%. Em locais de baixa demanda, despenca, e o faturamento acompanha. Ocupação é a variável que mais separa a projeção do resultado real, e é a que menos aparece nos cálculos otimistas.
Em quanto tempo o investimento se paga
Com esses números, o retorno do investimento costuma ficar entre 18 e 60 meses. Mais rápido em carregadores de corrente alternada e em pontos com alta permanência. Mais lento onde a ocupação é baixa ou a energia é cara.
Repare na amplitude. Dezoito meses e sessenta meses são negócios completamente diferentes. O que move o ponteiro de um extremo ao outro não é o preço do carregador. É a ocupação, o custo da energia e uma terceira variável que quase ninguém coloca na planilha.
O erro que quebra o payback: ignorar o imposto
Aqui está o ponto que muda tudo. A recarga de veículo elétrico vive uma disputa tributária que ainda não foi encerrada. Os estados entendem que fornecer energia é circulação de mercadoria e querem cobrar ICMS. Os municípios, com base na Lei Complementar 116/2003 e nas Resoluções da ANEEL 819/2018 e 1.000/2021, tratam a recarga como serviço e querem cobrar ISS.
A diferença não é jurídica, é de caixa. O ICMS costuma ficar entre 17% e 21%. O ISS, entre 2% e 5%. Esse percentual incide sobre todo o faturamento, todo mês, durante toda a vida do negócio. Uma projeção de payback feita com o enquadramento errado não está um pouco imprecisa. Está errada na origem.
Não existe uma resposta única que sirva para todo eletroposto. O enquadramento correto depende do seu modelo de operação, do seu estado e de como o serviço é efetivamente prestado. Quem promete uma resposta pronta está simplificando algo que exige análise caso a caso. Aprofundamos essa disputa no artigo dedicado sobre ICMS ou ISS no eletroposto depois da LC 214/2025.
Os cinco modelos de operação mudam a conta
O payback também depende de como você opera. Não existe um só jeito de tocar um eletroposto, e cada modelo altera o seu risco, a sua tributação e a sua margem:
- Arrendamento com repasse de energia.
- Locação do espaço com o maquinário.
- Mercado cativo, comprando energia da distribuidora no modelo regulado.
- Mercado livre de energia, negociando o fornecimento no ambiente de contratação livre.
- Geração própria, produzindo a energia que abastece as estações.
Cada um desses caminhos conversa diretamente com a decisão tributária da seção anterior. A mesma estação, no mesmo ponto, tem payback diferente dependendo do modelo escolhido. A escolha certa se faz na simulação, não por cópia de outro negócio. Detalhamos a montagem em como estruturar a operação fiscal de um eletroposto no Brasil.
No horizonte: a transição da Reforma Tributária
A Emenda Constitucional 132/2023 vai substituir o ICMS e o ISS por um imposto único, o IBS, com transição entre 2026 e 2032 e extinção total dos tributos atuais até 2033. Para quem está montando a operação agora, isso não elimina a decisão de hoje. Redefine o cenário durante a transição, e estruturar a operação com quem acompanha essa mudança evita retrabalho e passivo no meio do caminho. O quadro completo está no guia da Reforma Tributária no setor de energia.
Viabilidade e contabilidade são a mesma conversa
A conclusão prática é simples. A pergunta “vale a pena?” não se responde só com o preço do carregador e uma estimativa de faturamento. Ela se responde quando você coloca na mesma planilha o investimento, a ocupação realista, o custo da energia, o modelo de operação e o enquadramento tributário. Tire qualquer uma dessas variáveis e a conta deixa de ser uma projeção e vira um chute.
É por isso que a estrutura contábil entra antes de operar, não depois. As decisões que mais pesam no payback são tomadas na montagem, e corrigir depois custa caro. Antes de definir a tributação e o modelo, vale ler o guia completo de contabilidade para eletroposto.
Perguntas frequentes
Quanto custa montar um eletroposto?
De cerca de R$ 50 mil para estruturas menores com carregadores de corrente alternada a mais de R$ 300 mil para projetos com carregadores rápidos. Um ponto de 60 kW gira em torno de R$ 170 mil, já com equipamento, entrada de energia, obra civil e monitoramento.
Quanto fatura um eletroposto por mês?
Em pontos bem localizados, entre R$ 10 mil e R$ 40 mil, com a margem influenciada pelo custo da energia e por uma taxa de ocupação que costuma ficar entre 40% e 70%.
Em quanto tempo o investimento se paga?
Em média entre 18 e 60 meses, conforme a localização, a ocupação e o custo da energia. O enquadramento tributário influencia diretamente esse prazo.
O imposto muda o payback do eletroposto?
Sim. A diferença entre ICMS, de 17% a 21%, e ISS, de 2% a 5%, incide sobre todo o faturamento. Uma projeção feita com o enquadramento errado está errada na origem.
Faça a conta certa antes de investir
Se você está avaliando entrar no mercado de eletroposto, o número que importa não é só o preço do carregador. É o payback real, aquele que já considera o modelo de operação e a tributação corretos para o seu caso. A Lumini é uma contabilidade especializada no setor de energia e ajuda o investidor a montar essa conta antes da decisão.
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